Como estar junto mesmo longe

Publicado em: 13/05/2020
Publicado em: 13/05/2020

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Os desafios de mostrar afetividade durante o afastamento social

 

Imaginemos a seguinte cena: em um dia, estamos todos na escola, na rua, no shopping, estudando, brincando, sendo feliz. No dia seguinte, estamos todos em casa, em isolamento, e com um cuidado extremo com a saúde. Embora essa situação pareça um tanto uma cena de filme, possivelmente daqueles de terror psicológico, infelizmente estas têm sido cenas reais, em diversas cidades e municípios, tanto no Brasil como pelo mundo.

A pandemia de COVID-19 se colocou como obstáculo de algo que, até então, nós tínhamos e não percebíamos o quão importante era: vivenciar a afetividade.

Mas afinal, o que significa afetividade para você?

Para mim, afeto significa criar conexão com o outro. E é através dessas conexões que geramos bons sentimentos. Para a psicóloga e biblioterapeuta Nara Barreto, afetividade significa ser atravessado pelo outro, e esse atravessamento provoca o contato com emoções e sentimentos. Para meu avô de 96 anos, Raimundo Rocha, mais conhecido como Seu Rocha, afetividade é a lembrança que ele sente quando recorda do seu período de Base Aérea, e de como foi feliz lá. Para um amigo para quem fiz essa pergunta, afeto significa sentir-se bem e pensar que todos a quem ele ama estão bem também.

Se pararmos para pensar, a afetividade está sempre ligada a sensações boas, emoções e conexões. Então, como praticar a afetividade em um período em que estamos todos em casa, longe de pessoas queridas, que criam conosco, e com quem criamos também, laços de emoções e conexões?

Podemos praticar a afetividade com nossos amigos e colegas através de redes sociais, por vídeo chamadas, por ligações, e com demonstrações de carinho. É muito, muito importante que esses laços continuem firmes, porque esse período todo vai passar, e assim, poderemos voltar a nos reencontrar de forma emocionalmente saudável, e quem sabe, com laços ainda mais fortes e duradouros.

A afetividade também pode ser praticada com nossos alunos e professores, utilizando as mesmas plataformas virtuais e redes sociais. Aliás, estes meios de comunicação têm sido grandes aliados durante esse período. Nós precisamos reinventar nosso modo de dar aula, substituindo o “olho no olho” pelo “olho na câmera”, na tentativa de minimizar eventuais prejuízos educacionais. Então, mais que nunca, nesse momento a afetividade é de suma importância. 

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Se está difícil para nós, que somos adultos e temos maior entendimento e conhecimento sobre os percalços da vida, imagine para as crianças, que não têm esse entendimento tão bem formado ainda. Algumas, inclusive, podem se assustar e pensar que “o bichinho” (se referindo a doença) está perto, e a gente não pode sair de casa para ele poder ir embora logo. Cabe a nós, professores, tentarmos manter esse vínculo afetivo, e seguirmos reforçando essa conexão com nossos alunos.

Também podemos trabalhar a afetividade dentro de casa, como pais ou responsáveis. Muitos familiares vivenciaram diversas conquistas de seus filhos nos meses e anos iniciais, até quando chegam à escola, e então, grande parte dessas vitórias ficam dentro da sala de aula, apenas sendo informada aos familiares através do rendimento dos alunos. Hoje, no entanto, seu filho ou filha está bastante próximo. Você, pai, mãe ou guardião, virou também um pouquinho professor. E nessa direção, vai estar bem próximo, durante a caminhada deles, orientando-os, quem sabe, a seguir as atividades da escola, ou ainda incentivando o convívio com os colegas, ou até mais, desenvolvendo habilidades e competências de suas crianças. 

O vínculo afetivo nesse momento é de suma importância, seja para efetuarmos um bom acompanhamento do aluno nas aulas, com bastante proximidade, seja para dúvidas de matemática, ciências ou educação bilíngue. Cabe a nós incentivarmos nossos filhos, e fortalecer o vínculo afetivo, para que possamos desenvolver neles esse senso de conexão e, principalmente, de amor.

A BNCC muito fala sobre competências socioemocionais, como empatia e consciência social, pontos também trabalhados consistentemente na metodologia da International School. Essa é a hora de intensificarmos essas habilidades com nossos alunos, filhos e amigos.

Encerro esse texto com uma pergunta: como podemos estar juntos em meio a pandemia do COVID-19? Bom… acho que vocês, agora, mais do que ninguém, têm muito o que pensar sobre como responder essa pergunta que utilizo aqui como ponto de partida para as reflexões propostas. O que te faz criar conexões? O que te toca a alma? O que te faz feliz? O que te traz emoções? Compartilhe com a gente nos comentários!

Thiago Rocha é Especialista Educacional da International SchoolPedagogo sempre em formação e transformação e apaixonado por educação, descobriu ao longo da vida que também é um criador de conexões. Colecionador de abraços e afetos, sempre em busca da evolução e do encantamento de pessoas através da afetividade, com foco na educação de qualidade.

E ai, Gostou?
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3 COMENTÁRIOS
  • Débora Rocha
    13 de maio de 2020

    Excelente texto e ótimas colocações pra um momento tão difícil.

  • Genete Cléia
    13 de maio de 2020

    Eu fui lendo e sentindo os sentimentos mais envolventes. Saudade, alegria, amor, doçura carinho. As vezes a gente sabe o que é afetividade, mas não sabe descrever. E nesse período é bom saber que tem pessoas que amamos e não podemos está perto, mas nem por isso deixamos de sentir esses doces sentimentos.
    Eu faço minha parte, mando um oi, um bom dia ou uma pequena frase: saudades de ti. E quando é recíproco, é muito bom.

  • Prix Santos
    13 de maio de 2020

    Acredito que podemos estar juntos mesmo longe valorizando as pequenas coisas: em se tratando de nossos alunos, uma tarefa entregue na data (pois manter a rotina tem sido algo muito complicado para várias famílias), a colaboração assíncrona via mídias sociais (quebrando barreiras para o aluno tímido), as novas experiências e habilidades adquiridas (desde passar a usar aplicativos de videoconferência até assar um pão de queijo)… Cada conquista conta! É usar a criatividade para inserir essas pequenas vitórias noa momentos com nossos alunos para que eles se sintam acolhidos! Mesmo que virtualmente…

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